Entrevista com Monique Lafond




Monique Lafond é uma daquelas atrizes inesquecíveis pela beleza e pelo dom de atuar. Estrela incondicional do cinema nacional e do teatro, também fez participações e interpretou papéis importantes nas novelas. Mito sexual, sempre lembrada pelos personagens e cenas sensuais que interpretava, mas que também fez muita mocinha nos filmes e teatros infantis. Ganhou o Moliére por "Eu matei Lúcio Flávio" mostrando sua veia dramática como nunca. Como manequim era sensacional, suas capas e ensaios eram sucesso na certa e seu belo corpo e rosto enfeitavam editoriais em todas as revistas da época. Na revista Playboy imortalizou-se, na Ele Ela foi estrela e musa da Status. Batemos um papo com a musa que nos fala de sua carreira, dos cursos que ministra e a sua volta à telinha na novela Chiquititas. Confira a entrevista exclusiva que Monique cedeu ao blog:

Sua carreira sempre foi marcada pela elegância. Você, além de bonita é uma mulher elegante, chique naturalmente. Isso te impossibilitou de fazer algum trabalho?
Claro, os de mulheres chiques, ricas, sensuais... Isso também me rotulou, eles nos engessam. Mas agora já está melhor, os autores estão também escrevendo para mulheres bons personagens, antigamente não, era só o objeto do desejo.


O Jorge Lafond usava seu sobrenome, as pessoas acham que vocês tem algum parentesco?
Alguns perguntavam à minha mãe e ela brincava dizendo que nós éramos gêmeos da mesma placenta. Na verdade o Jorge me pediu para usar o meu nome, que é de família, mas pedi a ele que escrevesse de outra forma, no início ele não cumpriu, mas depois me lembro de ter visto LaffonT.

Vocês eram amigos?

Éramos colegas de trabalho.

Como você entrou para o meio artístico?

Aos 11 anos num teste para o espetáculo musica divina musica, a versão de a noviça rebelde, que passou na Broadway.

Do balé para o teatro foi natural ou você estranhou no início?
Eu nunca consegui fazer ballet de verdade, eu não gostava.

Uma de suas primeiras peças foi com Glauce Rocha, Darlene Glória e Jorge Dória, "Os pais abstratos". Foi aí que sua família entendeu realmente que você seria uma atriz?
A minha mãe, sempre quis que eu fosse, foi ela quem me levou para o teste de musica e “Os pais...” veio depois. Ficamos dois anos fazendo este espetáculo por todo o Brasil, aprendi muito com eles, era uma menina de 12, 13 anos.

Seus pais sempre apoiaram e incentivaram?

Meu pai não, eu escondia dele, mas ele sabia.

Ainda garota você participou de alguns comerciais, naquela época já sonhava com a carreira de atriz?

Nunca sonhei com isso, minha mãe que me colocou nessa, daí eu gostei e fui embora.

Sempre foi vista como uma das musas das telonas, estrelando diversos filmes de sucesso. Você acredita que os filmes que te projetaram nacionalmente?

Sim meu nome foi construído pelo cinema, fiz mais de 56 filmes e os que mais me elevaram foram os infantis. Na época o publico brasileiro de uma forma geral, não gostava de filmes brasileiros por causa do som e etc., mas os filmes infantis eram sucesso na certa. Fiz quatro com Os Trapalhões entre outros.

Walter Hugo Khouri foi o cineasta que sempre acreditou no seu talento, essa parceria se firmou a partir de "Paixão e Sombras"?
Sim, também acho que ele foi o diretor que mais soube posicionar a mulher, sempre estávamos bem fotografada, com roupas(!)... Um diretor e tanto e esse filme representou o Brasil no Festival de San Sebastian, na Espanha e eu fui com ele. Foi o máximo , víamos o Alain Delon e muitos atores e atrizes de quem sou fã.

Como se sentia sendo uma das preferidas de um cineasta tão importante?

Não era só eu, ele tinha o time dele, super seleto.

No teatro também sempre participou de espetáculos bastante populares, a dificuldade de conseguir sucesso nos palcos é maior?

A dificuldade está nesta carreira, o sucesso é uma bola de cristal, independe do espetáculo. Quando cai na boca do povo vai embora como por exemplo “Por falta de roupa nova passei o ferro na velha”.

O cinema e o teatro te impediam de fazer televisão?

Não, é que eu era tão solicitada pelo cinema, fazia 3 filmes por ano!

Por que não te vemos com tanta frequência nas novelas?

Porque é um grande caldeirão, mas agora entrarei no ar em Chiquititas no SBT, além das aulas que ministro há mais de 15 anos, estou sempre praticando.

Quando as pessoas te reconhecem, qual o trabalho elas mais recordam?

De diversos, cada um vai para um filme ou novela tipo “A Moreninha” que marcou bastante até alguma participação na (Rede) Globo.

Você imaginou ser tão admirada lá no início da carreira?
Não, não era assim “admirada” naquela época, havia muitos preconceitos e principalmente em cidade grande. Você era admirada sim, no interior, era o maior barato.

A beleza foi primordial na sua carreira, você consegue se imaginar uma atriz de tamanho sucesso se não fosse tão bela?

Acho que a beleza até me atrapalhou, espero que você consiga entender isto, ela me rotulou e de repente um diretor me falava “puxa como você esta bonita” e eu respondia “ah, sim obrigada” e na minha cabeça passava “mas eu quero trabalhar, eu não vivo de beleza”.

Mas beleza realmente é ou não fundamental?

Não é.

Você sempre esteve nas páginas e capas de revistas, você priorizava os trabalhos de modelo e manequim?

Eram as épocas que não havia trabalho para a minha faixa etária, 19 anos, daí comecei a fotografar, comercias e também fazia o meu teatro infantil.

Das revistas masculinas hoje a que mais se destaca é a revista Playboy, porém você fez duas capas consideradas clássicas para a revista Ele Ela, uma ao lado do Beto Simões e outra romântica além de ensaios para a Status. Posar nua nunca foi tabu para você?

Sim, sempre me incomodei, eu não ficava a vontade. Mas eu gostei do trabalho da Playboy, foi na natureza, uma fotografa maravilhosa e com adereços pelo corpo, não era aquela coisa estampada como é hoje.

A Playboy realmente é a mais importante para a carreira?

Ela não é mais importante para a carreira de ninguém nos tempos atuais, mas já foi.

Algumas atrizes e modelos dizem que era complicado esse tipo de trabalho naquela época, era transgressor e precisava de muita coragem. Não teve medo de arriscar sua carreira?

Medo nunca tive, mas era um trabalho desafiador e tinha que ganhar dinheiro para me sustentar.

Falando em nudez e sensualidade, o filme Giselle é um cult, repleto de cenas fortes, como foi atuar num filme tão complexo e cheio de erotismo?

Eu não gosto do filme no todo e quando eu fui contratada foi para fazer 12 dias de filmagens daquela personagem ativista etc.. A personagem tinha conteúdo, não recebi o roteiro do filme só o roteiro das minhas cenas e daí deu no que deu. Se eu soubesse que era aquele filme que eu estava não teria feito. Mas foi um sucesso, sim.

Pornochanchada eram filmes difíceis de interpretar?

Eram os filmes da época, era o que tinha pra fazer.

"Amor Maldito" foi um filme que mostrava pela primeira vez no cinema nacional um amor lésbico numa época que a Ditadura Militar imperava no país, como foi a repercussão na época?

Você acha que foi o primeiro? Não sei, era uma história verídica, o roteiro do maravilhoso autor de “Pixote” (José Louzeiro), por isso topei a empreitada com um elenco de prima e pouca verba.

A Ditadura causava muitos transtornos?

Sim, tínhamos que sair correndo dos teatros e eu muito menina as vezes não entendíamos muito bem, fazíamos espetáculos para os censores aprovarem e /ou censurarem.

Você particularmente sofreu algo por parte dos censores?

Eu não, mas alguns espetáculos que eu participava sim, eles sempre buscavam um outro sentido que podia estar ou não embutido em algum texto, como se fosse uma coisa subversiva e as vezes não tinha nada a ver.

Você acha que a caretisse voltou a reinar no Brasil?

O povo continua o mesmo, muito cara de pau.

Pornochanchada, filme com os Trapalhões, novelas... Hoje em dia parece difícil uma atriz consiga atuar em todos os públicos sem ser rotulada ou restrita. Você acha que regredimos nessa parte?

Eu discordo de você, só acho que hoje todos querem ser atores e estar na Plim Plim, vejo isso pelos alunos. Mas ser ator não é só estar na Plim Plim, tem muitos atores de sucesso que ate recusam estar nas novelas para fazerem um bom filme ou peça. Mas as pessoas é que acham que ser ator e estar lá... Plim Plim.

O cinema nacional só tem força se tiver atrelado às grandes empresas, as novelas não tem mais tanto Ibope, o teatro trava uma luta constante para se manter, você conseguiu se adaptar aos dias de hoje?

Por isso dou aulas, o (diretor e ator) Wolf Maya dirige, outros atores descambaram para outras atividades. Hoje você tem que ter “paitrocínio” para teatro, as novelas continuam com seus ibopes, o cinema está nas mãos da Globo Filmes e muita gente se achando fotógrafo, cineasta graças à internet, You Tube, novos formatos de mídia e as TVs à cabo... Juntando a falta de segurança, fica difícil ir a uma peça, a um filme à noite. Ontem mesmo fechou o Cinema Leblon, vai virar algo mantendo a fachada. Os tempos mudaram e tudo mudou, antes os jovens e homens não assistiam novelas.

Produzir e dirigir te mostrou um ponto de vista diferente da atriz?

Amo dirigir e gosto também de produzir, tenho uma produtora que também está no meu site, vão lá. Adoro fazer contas, projetos etc. e as aulas com minhas turmas.

Você hoje se considera uma mulher do cinema ou do teatro?

Sou uma mulher de cinema que após o (ex-Presidente da República) Collor ter passado em nossas vidas cortando o cinema por 10 anos, comecei a fazer teatro.

Qual o momento mais marcante da sua carreira?

Ganhar o premio Lumière pelo filme “Eu matei Lúcio Flávio”, aos 26 anos concorrendo com a maravilhosa Fernanda Montenegro em “Eles não usam black tie”.

O que está fazendo Monique Lafond hoje?

www.moniquelafond.com.br: vão lá e pesquisem, beijo grande da Monique.


Foto: Arquivo Pessoal
Entrevista: Anderson Leal

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