Entrevista com Ana Paula Maciel

Uma entrevista com a bióloga e ativista Ana Paula Maciel que foi presa na Rússia depois de um protesto em alto mar em prol dos Árticos. A bióloga fala do seu ativismo, do Greenpeace, dos planos depois da PLAYBOY e claro, do ensaio. Confiram:

Quando você começou a participar do Greenpeace, teve medo de um dia ser presa?
Ana Paula: Fui presa por uma causa que acredito e penso que é justa, correta e necessária. Ninguém disse que mudar o mundo seria fácil. Se eu estivesse sentada no conforto do meu sofá, nada teria acontecido, mas viver é um risco e fazer um mundo melhor é um risco ainda maior. É preciso correr grandes riscos para alcançar grandes objetivos.
Essa repercussão chegava a você quando estava detida?

AP: Muito pouca informação. Via minha advogada uma vez a cada duas semanas. As cartas passavam pela burocracia da prisão, as conversas eram gravadas, éramos vigiados 24 horas por dia... Eu sabia que era grande, porque enquanto presa fiquei sabendo da Dilma, dos 11 Prêmios Nobel da Paz que escreveram para Putin, de Paul McCartney, Madonna, a Vice-Presidente do Irã e Paul Watson do Sea  Shepherd pedindo nossa liberdade. Sabia que era grande. Depois da Vice do Irã e Paul Watson, só faltava Deus na Terra! (risos)

O Greenpeace é conhecido mundialmente pelas atuações, muitas vezes radicais, isso nunca te assustou?
AP: Me assusta ainda mais o que será do planeta se não fizermos nada.

Qual a atitude que você considera perigosa para os ambientalistas?
AP: Falar mais do que fazer.

Qual a melhor maneira de melhorar o mundo que vivemos do ponto de vista ambiental?
AP: Se informar e se importar.

Há luz no fim do túnel para a natureza ou a poluição, o desmatamento e a destruição estão avançando tanto que está difícil de combater?
AP: Ninguém disse que seria fácil, mas se não houvesse esperança eu não estaria lutando por um mundo melhor.

A política e o poder seriam os maiores inimigos  do planeta?
AP: Não vejo esse problema como um filme de super-herói com vilões e mocinhos. Cada um de nós é responsável pelo que acontece no planeta. Tudo o que fazemos tem um impacto, somente precisamos decidir que tipo de impacto queremos ter.

Com essa exposição, acredita-se que muita gente vai pesquisar um pouco mais sobre o tema ambiental, você tem alguma dica para quem queira ingressar no ativismo?
AP: A informação nunca esteve tanto ao alcance de nossas mãos como hoje, qualquer um pode digitar uma palavra em um site de busca e o mundo estará ali. É o que você faz com essa informação que muda o mundo? Ai vai a dica: www.greenpeace.org.br

Você acha que a sua nudez pode atrapalhar sua carreira profissional ou o seu ativismo ecológico?
AP: Ser capa da Playboy foi somente mais uma coisa extraordinária que aconteceu na minha vida normal. Mês que vem terá outra menina e a Amazônia continua sendo destruída, o Ártico continua derretendo, os animais continuam sendo traficados, eu me preocupo com o que realmente tem importância.

O André Sanseverino te fotografou e te empresaria, como começou essa parceria?
AP: Ele me procurou, conversamos, fiz as fotos e pronto. Formou-se a parceria.

A edição que você está tem duas capas, a sua capa é em preto e branco, não muito usual, isso foi um pedido seu? Houve algum pedido especial da sua parte?
AP: A capa ficou linda, sei que não é muito usual uma mulher com meu tipo corporal posar, também não sou do tipo gostosona, sou normal. Mas a inovação remete a surpresas boas muitas vezes. Se você perceber meu nome também não vem por primeiro nem grande na chamada, e sim meu objetivo de vida, que é muito mais importante e maior do que eu mesma. Isso me deixou muito feliz!
Não houve pedidos especiais, houve participação em tudo e eles (da revista) são profissionais ótimos, com os quais foi bom trabalhar.

Sobre o seu ensaio, houve inspiração em algum outro?
AP: Sim, mas essa deixamos para de repente uma outra hora.

Você costuma ler PLAYBOY?
AP: Quando eu era adolescente meu irmão assinava playboy e é uma revista que sempre admirei pela beleza das fotos, das meninas e conteúdo adulto inteligente.

Qual o ensaio que você considera o melhor? E a melhor capa?
AP: Ainda não vi a revista, mas Gaby é linda, sem sombra de duvida temos belezas diferentes que não conflitam. Tenho certeza que a Playboy de Abril tem mulher para todos os tipos de gosto!
A capa preto e branco ficou linda, sensual e simples como a natureza.

Nosso blog está fazendo uma eleição para eleger a melhor capa de todos os tempos, você acha que a sua pode ser a escolhida?
AP: De todos os tempos! Uau, (risos) acho que eu não seria assim tão pretensiosa, mas ficaria muito feliz se isso acontecesse. 

O que você espera pra depois do ensaio?
AP: Dar palestras de educação ambiental e "inspiracional", como já faço há anos, agora com a ajuda de Nailor Junior (palestrante famoso por sua abordagem mais humanizada sobre treinamentos e outros temas empresariais). Terminar de escrever meu livro, trabalhar com Greenpeace e outras organizações e pessoas que queiram me ajudar a realizar o projeto de reserva ambiental para receber animais vítimas do trafico no Brasil... O mundo é um lugar de infinitas possibilidades!


Por Anderson Gomes Leal

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